Para que título?



Em pensamento voltei ao passado num tempo distante quando ainda uma criança vi a morte abraçar o meu pai e levá-lo de mim. Os dias passavam, os anos passaram e a dor foi cicatrizando até mesmo sendo esquecida naquela correria da vida sem compromissos de brincadeiras e molecagem. Vi meus amigos antigos, minha mãe e meus irmãos, meus tios que nos visitavam com alguma constância. Lembrei-me das nossas brincadeiras empinando pipas, rodando piões e principalmente jogando bola naquela rua calma que era nosso parque de diversão, nosso campo de futebol. Hoje remou esse passado distante e uma lágrima desce calma pela pele enrugada do meu rosto e percebo que o castigo da vida é idade que na sua vinda vai nos arrastando inexoravelmente para o fim!

Tenho somente vinte amigos renováveis a cada maço com quem enquanto trago e solto suas fumaças reflito a minha historia sem fundo na inutilidade de uma vida inútil!


Ao meu mano Chiquinho

Os acordes do teclado silenciaram
Os baixos da sanfona estão de luto
As cordas do contrabaixo se soltaram
O violão ficou mudo
Trinta dias de saudade
Trinta dias sem músicas
Trinta dias de tristeza
Trinta dias de silencio absoluto
Chiquinho
Mano velho
Companheiro
Amigo
Sobrou a saudade
O pandeiro
Que guardarei até o meu último dia
Quando então nos encontraremos
No infinito desse mundo!

 

A minha árvore



 A MINHA ÁRVORE QUE NÃO É SÓ MINHA



Cuido desta árvore desde o seu mais tenro broto. Com carinho e persistência ela foi adubada com o bom adubo do amor e plantada em boa terra ela cresceu forte, gerou frutos bonitos, bem formados, saborosos. Porém, de algum tempo para cá tenho percebido que ela já não está tão formosa como antes, e que suas folhas caem ao menor sopro de vento. Hoje caiu mais uma folha e pude perceber que seus galhos estão secando e seu tronco pendido e embora eu continue a adubá-la, tenho certeza que suas raízes não a suportarão por muito mais tempo. A vida é assim! Quem sabe por mais quanto tempo ela viverá ninguém pode dizer, mas me esforçarei para que eu possa saborear ainda do seu último fruto.



Quando criança jamais pensei que chegaria aos sessenta anos de idade, minha idade limite era quarenta e quatro para quarenta e cinco anos, idade com que meu pai morreu doente do coração. Minha mãe com cinco filhos deu um duro danado para nos criar. Faltava tudo. Dinheiro, comida, roupa. Não faltou o amor e a força de vontade da minha mãe que não se deixou abater. Eu se tivesse morrido com quarenta e quatro anos teria deixado dois filhos adultos em condições de viverem sem minha ajuda, mas não morri e hoje completando sessenta quero um pouco mais porque a árvore mesmo velha deu um fruto temporão que, hoje com doze anos, e tenho que me esforçar para continuar ereto para vê-lo criado, forte, com a mesma condição dos outros dois.



Quero deixar registrado o meu profundo agradecimento à minha mãe Zenaide, que já não está mais entre nós, mas ela é a responsável por meu estar aqui. Agradeço também aos meus irmãos Francisco, Benedito, Antonio e especialmente a minha irmã Maria, braço direito da minha mãe, ela que trabalhando desde criança ajudou a amenizar nossa fome. À minha esposa Sidélia, que a trinta e oito anos me ajuda a cuidar da árvore da minha vida. Aos meus filhos Nilson, Vinicius e Daniel, razão primeira por essa minha vontade de continuar vivendo.





Manoel Vicente Carlos

22/01/2015

Eu sou um museu!

Dizem que quem vive de passado é museu e eu já disse um dia que tenho um museu dentro de mim, mas pensando bem quem não vive do passado? Só temos o passado, a nossa vida é passado. Desejamos o futuro, planejamos um futuro, mas o futuro não existe e o presente é um estalo, uma fração de segundo e já é passado. Se o futuro não existe e o presente é só um instante então vivemos no passado, e todos nós somos museus pensando no futuro, querendo o presente e tendo somente o passado para viver.

Ela não esquecerá, tenho certeza!



Cada dia que passa eu penso mais nela e por tudo que eu faça não consigo tirá-la do meu pensamento. De noite, de dia, em sonho, e eu que nem sou tão católico já pedi a Deus por vezes para que a tire dos meus pensamentos. Eu não gosto dela, na verdade eu a odeio e fico triste em pensar que ela não se esquecerá de mim nunca. Merda de vida essa que você não tem o direito de escolher nascer ou não e depois que aqui está não quer morrer e sabe que a única verdade da vida é que quem nasceu tem um dia Ela não esquecerá, tenho certeza!vai morrer. Isso, no entanto não me impede de detestá-la, pois ela é sempre motivo de tristeza quando abraça sem ser convidada as pessoas que mais amamos e a vemos levar embora nossos pais, irmãos, filhos, esposa, marido, artistas que gostamos, escritores, bons escritores, cientistas, políticos, se bem que na maioria deles ela faz bem. Devo reconhecer, porém que em alguns momentos da nossa vida ela talvez seja até muito desejada, mas mesmo assim eu não gosto dela e peço encarecidamente que ela me deixe por aqui por alguns cem anos, depois ela pode me beijar e fim.  

NOSSO AMOR


Eu sei que você também se lembra
Daquele dia que nos conhecemos
Nossos olhares se cruzaram tão fugazes
Nossa paixão começou nesse momento
Você uma menina inocente
Não vou mentir
Inocente era também
De braços dados
Nós saímos passeando
E nos beijamos pra selar o nosso amor
Daquele dia
Quantos anos se passaram
O nosso amor
Não deixamos esmorecer
Em cada beijo que por nós dois é trocado
Sentimos a chama
Do amor reacender

Eu quero sim!



imagem do Clip-art

 Os nossos médicos estão alvoroçados com a possibilidade aventada pelo governo federal de permitir/recrutar seis mil médicos cubanos que viriam, inicialmente, para atender a demanda reprimida de profissionais da saúde nos estados e regiões que os “nossos” não atendem. Quero dizer que sou a favor da vinda não só dos médicos cubanos, mas também dos espanhóis, portugueses, japoneses, americanos e se possível mais, muito mais que seis mil e que pudessem atender também em consultórios, clínicas e prontos socorros de todas as regiões do Brasil, quem sabe assim os “nossos médicos” parecem de pensar que são Deus e que detêm o poder da vida e morte sobre os seus pacientes/clientes. A verdade é que por termos uma quantidade pequena de médicos eles se acham com direito de tratarem a gente com desprezo e desrespeito. Acham-se seres superiores e querem nos fazer acreditar que estão na profissão por amor ao próximo. Bobagem! O que eles procuram é o que todos os que se formam em alguma boa profissão quer: dinheiro! Além disso, os “nossos médicos” são protocolizados e se sua doença estiver no protocolo eles provavelmente tratarão com grande possibilidade de sucesso, mas se não estiver esqueça, eles não são capazes e nem têm tempo para pesquisar sintomas que não constem dos protocolos. Claro que toda a regra tem exceção, eu mesmo conheci médicos que iam além dos protocolos, mas são raros. Por isso é que digo: Eu quero sim, quero logo que o Brasil abra suas fronteiras para os médicos de todo o mundo! Quem sabe teremos a chance de não precisarmos marcar uma consulta com dois meses de antecedência e sermos atendidos com duas horas de atraso sempre com a mesma desculpa. – Estava atendendo a uma emergência!


Sacanagem!




O escritor Luis Fernando Veríssimo disse em entrevista a um portal de notícias que a morte é uma sacanagem. Eu acho que a sacanagem não está na morte em si e acho ainda que os maus, bandidos, assassinos que friamente antecipam a morte de pessoas boas, trabalhadoras, esses não deveriam nem ter tido a oportunidade de uma vida. A sacanagem para mim é que nascemos condenados a ela, reféns dela e não importa o que fizermos, ela será sempre a vencedora. Ah, mas no céu viveremos eternamente! Para mim o céu, paraíso ou qualquer outro lugar que acreditamos será um local de vida eterna é só um passa-moleque que nós nos damos para evitarmos o ódio à morte, afinal sabemos que ela é inevitável e por mais que não a queiramos ela é o futuro de todos nós.

Manoel


Eu fiz isso? Eu fiz isso!



Enfiei a faca com força, nada, nem um gemido, aquilo me deixou com raiva, minha vontade foi retalhá-la todinha. Enfiava a faca aqui, ali e nem uma gota de sangue. Aquele corpo na mesa, frio, sem sangue. Fiz uma incisão longitudinal na coxa e perna e vi os ossos branquinhos, só com uns resquícios de sangue. Separei a cabeça do corpo. Nossa! Como é pequeno seu cérebro, assim ela não podia ir longe mesmo! O coração! No coração tem que ter sangue! Nada, nem o coração eu achei, não posso entender isso. Decidi então desossá-la e fiz isso. De um lado um monte de carne e do outro os ossos limpinhos e eu me sentindo um verdadeiro cirurgião ou um bom açougueiro. Ainda bem que ninguém estava vendo o que eu estava fazendo, sorte minha que eu estava sozinho em casa e podia trabalhar sem que alguém pudesse palpitar. Peguei um punhado de alho com sal e besuntei a carne dela, juntei alguns outros temperos e reservei numa vasilha. Fui para o fogão, acendi o fogo do forno, sim, eu ia assá-la inteira, sem os ossos é claro. Preparei uma bela farofa e comecei a recheá-la, costurei-a para que a farofa não se perdesse e deixe-a assando por mais ou menos uma hora e meia. Sim, hoje na ceia de Natal teremos uma bela galinha assada! 



Manoel 


Obs.: Imagens do clipart








Crônica do cemitério 2



Minha mãe e meu pai

Hoje, 30 de Dezembro de 2012, fui ao cemitério municipal aqui da minha cidade para limpar o túmulo onde o corpo da minha mãe foi sepultado há um ano e quatro meses. Era mais ou menos sete horas e alguns minutos da manhã desse domingo e sem o barulho dos carros pelas ruas que circundam o cemitério o silêncio era absoluto, literalmente um silêncio sepulcral. Lavei o túmulo, coloquei terra nos vasos e joguei fora as flores velhas e secas e parei ao observar que aquele silêncio falava comigo. Sim, aquela falta total de sons e eu ouvindo o silencio me pedindo uma oração. Ora, eu não sei orar e nem sei se creio em Deus, mas sentindo a força daquele pedido eu me vi balbuciando algumas palavras ao Deus cristão, afinal eu venho de uma família cristã e se tivesse que orar só podia ser a Jesus Cristo. Pedi, é o que mais sabemos fazer, para que se houver uma vida além dessa, se Deus realmente existe e se há um céu ou paraíso para onde se pode ir após a morte aqui na terra, que tome conta da minha mãe porque se eu conheço ou conheci alguém que merece o céu, na minha avaliação, essa é a minha mãe.

MVCarlos

Que bosta!



A tua posição na sociedade e ou tua riqueza não te dá o direito de te achares melhor que teu próximo ou nem tão próximo assim. Quanto tu fores ao banheiro para defecar e tuas fezes tiverem o perfume das rosas ou do alecrim, ou qualquer outro perfume, então tu és melhor, se ao contrário, tuas fezes tiverem o mesmo cheiro de bosta de todas as fezes, então tu és igual a qualquer um!


Minha chuva


A chuva fina caia sem parar e molhava-me por inteiro. Nos dez quilômetros que andei, encontrei homens e mulheres apressados com os seus guarda-chuvas e sombrinhas, desviando-se dos pingos das sacadas e toldos das lojas e bares. Nenhum sorriso, nem um bom dia! Eu caminhava devagar, sem pressa de chegar a lugar algum. Sentia aquela chuva tirando da minha alma um carnegão escuro, pesado. Lembrei-me dos meus tempos de moleque, que em cada chuva sai à rua para brincar com os barquinhos de papel na corredeira que se formava na frente da minha casa, naquela rua sem asfalto. Cheguei à minha casa e minha mulher preocupada já gritou: - Você tá louco? Vai tomar um banho quente, porque velho molhado de chuva é velho doente! Vou tomar um banho quente, mas estou feliz por ter vestido essa chuva!

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